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Até ler The Ethical Slut, eu entendia ciúme como um sentimento de posse e tentativa de controle sobre outra pessoa. Essa é a visão comum, e que, dita cruamente, gera um pouco de ojeriza. Afinal, não quero ser dona de ninguém, nem controlar os passos de outra pessoa.

Não me ajudou muito ler matérias falando de ciúme patológico, com perseguição e vigilância, pois não conseguia me identificar com essas situações (que me pareceram mais loucura e desespero do que reações comuns). Mesmo manuais poliamoristas tratam o ciúme de forma superficial, como se fosse um problema individual que não interferisse no relacionamento ou um sentimento vergonhoso de posse que deveria ser escondido.

Só fui compreender que meus sentimentos sem nome podiam ser classificados como ciúme ao ler a definição ampla em The Ethical Slut (p.134-135, a tradução é minha):

Ciúme pode ser uma expressão de insegurança, de medo de rejeição, medo de abandono, sentir-se deixado de lado, sentir que não é bom o bastante, ou sentir-se inadequado.[...] Ciúme também pode ser associado a sentimentos de competitividade e querer ser o número um.

Nota-se que agora estamos falando de sentimentos mais comuns. Nem todas as pessoas se enquadram em todas essas definições, ou as experimentam de forma alternada, mas é mais fácil se identificar com alguma delas do que com a noção simplista de posse (que bem pode ser uma reação a esses sentimentos, e não o sentimento em si). Gosto muito mais dessa visão aberta, que me parece bastante honesta e factível. E é mais fácil conversar sobre ciúme a partir de algum desses pontos do que ficar falando genericamente de controle e possessividade.

Aliás, essa questão do controle se aproxima mais da forma como o/a parceiro/a se sente quando é alvo de ciúme do/a companheiro/a, do que propriamente uma definição dos sentimentos experimentados pela pessoa que sente ciúme.

Dossie Easton, uma das autoras do The Ethical Slut, afirma que vive relações poliamoristas há décadas, e o ciúme sempre está presente nas relações, em algum momento.

Se é assim, então é melhor entendermos a definição mais ampla de ciúme, e procurarmos formas de lidar com ele, ao invés de minimizá-lo, fazer de conta que não existe, ou enfatizarmos mais as sensações do parceiro/a do que os sentimentos da pessoa que está com ciúme.

Pedimos desculpas aos queridos e queridas que nos visitaram durante esses dias, mas foi impossível atualizar o blog. Problemas pessoais, bloqueio criativo e dificuldade para conciliar horários nos impediram de escrever e visitar os amigos.

Agradecemos muito à Afrodite por ter nos presenteado com nosso primeiro selinho.

E agora, retomamos o ritmo normal.

boobies

O Dr. Ulrich H. Reichard em seu livro Monogamy: Mating Strategies and Partnerships in Birds, Humans and other Mammals distingue três espécies de monogamia: a social, a sexual e a reprodutiva.

Monogamia social refere-se à convivência em comum de um macho e de uma fêmea (por exemplo, partilhando um território, comportamento que indica uma vida social em comum), sem que haja qualquer interação sexual ou reprodutiva entre eles.

Monogamia sexual é definida como um relacionamento sexual exclusivo entre um macho e uma fêmea, com base em interações sexuais.

Finalmente, a expressão monogamia reprodutiva é usada quando análises de DNA são capazes de provar que um par macho-fêmea reproduzem exclusivamente um com o outro.

Combinações de termos, como por exemplo monogamia sócio-sexual ou monogamia sócio-reprodutiva descrevem respectivamente uma relação social e sexual e uma relação social e reprodutiva monogâmica. (Reichard, 2003, p. 4, tradução livre)

Estas distinções foram criadas para explicar os comportamentos de animais que apesar de manterem uma relação social monogâmica, tinham comportamentos sexuais e, conseqüentemente reprodutivos, polígamos.

Casar, morar junto e querer viver para sempre ao lado de uma pessoa, não implica necessariamente querer ter sexo exclusivamente com ela para todo sempre. Isso é observável entre os animais e, como não poderia deixar de ser, também na espécie humana.

Além destas distinções é comum também o uso da expressão monogamia serial para designar uma série consecutiva de relacionamentos exclusivos (sociais, sexuais ou reprodutivos).

Muitos casais que conhecemos se auto-designam monógamos, mas são, na verdade, monógamos seriais, pois o divórcio e as separações garantem-lhes a diversidade de parceiros sexuais de que necessitam. Infelizmente, muitos acabam comprometendo um bom relacionamento social pela necessidade desta diversidade sexual, pois não percebem que é perfeitamente possível terem um relacionamento pautado na monogamia sócio-reprodutiva e, ao mesmo tempo, na poligamia sexual.

O último post do Henrique foi, de certa forma, uma provocação. Ele sabe muito bem que eu não sou fã de teorias derivadas da biologia.

Nem discuto a questão biológica, pra mim o problema está no fato de que essas teorias são extremamente moralistas, e limitam a sexualidade ao associá-la apenas à reprodução e criação de super-humanos. Fazer pesquisa com essa mentalidade é pedir para ter resultados, no mínimo, duvidosos.

Sexo é divertido. Sexo é prazeroso. Sexo não é necessariamente praticado para procriação. No entanto, a prática sexual feminina, em nossa sociedade, é extremamente criticada quando não está atrelada à maternidade. Mulheres que têm muitos parceiros (simultaneamente ou sucessivamente) recebem termos pejorativos (slut, galinha, piriguete, etc), porque fazem o que todas as pessoas querem fazer, mas são proibidas pela moral dominante: elas usam sua sexualidade para se divertir, não para se reproduzir.

Lá se vão mais de 20 anos em que Cyndi Lauper compôs “Girls just want to have fun”. E ainda hoje, muita gente não entendeu o espírito dessa música: mulheres querem se divertir, inclusive sexualmente. Não querem ser escondidas do mundo. Nem querem ter sua sexualidade ligada apenas à reprodução, como todas essas pesquisas de fundo biológico pretendem fazer.

Não tem nada mais brochante do que ler que a poliandria seria uma forma das mulheres terem filhos biologicamente melhores. Quem disse que as mulheres querem participar de um gang bang pra ter filhos? Por que mulheres não podem fazer um gang bang por simples prazer?

Ah, as pessoas precisam se reproduzir senão o mundo acaba? Então tá. Deixe quem quer se reproduzir cuidar disso e ter filhos desejados e muito amados (sejam eles super-humanos ou não). Eu, e muitas mulheres mais, preferimos nos divertir. Enquanto isso, se vocês preferem ficar discutindo monogamia, pior pra vocês…

Vale a pena conhecer a música Girls just want to have fun, da Cyndi Lauper. Existe também uma versão em áudio da Miley Cyrus, mais recente e com menos cara de anos 80. A letra pode ser conferida aqui, e a tradução, aqui.

De todas as falácias que buscam justificar a monogamia por meio da biologia, talvez a mais convincente delas seja aquela que admite que os machos são polígamos por natureza, mas reafirma a monogamia das fêmeas.

O argumento é simples: os machos geralmente fazem um investimento parental bem menor que o das fêmeas e, por isso, as fêmeas seriam mais seletivas já que teriam muito mais a perder com a fertilização por um espermatozóide geneticamente inferior. Em outras palavras: para o macho, o que vier é lucro, já que produz milhares de espermatozóides e tudo o que precisa fazer para deixar uma prole satisfatória é copular com o maior número de fêmeas possível. Já para as fêmeas, que produzem um número de óvulos bem menor e ainda por cima precisam gestar o feto e cuidar do filhote recém-nascido, uma fecundação inadequada é algo grave o suficiente para recomendar um comportamento cauteloso na escolha dos parceiros.

A tese, tal como exposta, parece fazer bastante sentido mas no fundo não descreve a realidade sexual da maioria das espécies. Trata-se de uma interpretação moral do comportamento sexual dos animais a partir da visão machista de biólogos, em sua maioria homens.

No fantástico livro  O Mito da Monogamia os autores trazem centenas de dados que comprovam uma realidade bastante distinta: as fêmeas do mundo animal, longe de serem monógamas, têm uma vida sexual bastante variada.

E a razão biológica para isso é bastante simples: a seleção natural é beneficiada quando a fêmea se relaciona sexualmente com vários parceiros, pois isso possibilita que haja uma “competição de espermas”.

A fêmea seletiva que escolhe o parceiro “ideal” com base em sua aparência e lhe “jura amor eterno” estaria jogando todas as suas fichas em um único macho, o que poderia gerar uma prole geneticamente superior, mas, por outro lado, caso sua escolha não tivesse sido tão boa, poderia também gerar uma prole inferior ou mesmo não gerá-la, no caso do macho ser infértil.

Já a fêmea que, nos períodos de cio, promovesse uma competição espermática entre os machos que selecionasse por suas aparências como mais aptos, acabaria por permitir que os próprios espermatozóides decidissem quem fecundaria seu precioso óvulo. Assim, somente o melhor espermatozóide alcançaria o óvulo, gerando uma prole geneticamente superior. Nas fêmeas que normalmente geram mais de um filhote por parto, esta competição espermática ainda traria o benefício de estimular a variedade genética, permitindo descendentes de vários pais. É por esta razão que cadelas e gatas não raras vezes têm filhotes de pais diferentes na mesma ninhada. A poliandria, no caso delas, é uma necessidade biológica ditada pela lei da seleção natural.

Mutatis mutandis, na espécie humana, uma mulher que escolhesse seu parceiro após uma detalhada análise de milhares de perfis no Orkut ainda assim estaria sujeita a não ter os melhores descendentes. Seu parceiro poderia ter alguma doença não perceptível visualmente ou até mesmo ser infértil. Já aquela que selecionasse uma dúzia de parceiros no Orkut e os convidasse para um gang-bang, do ponto de vista estritamente biológico, teria melhores chances de engravidar e ter uma prole geneticamente mais satisfatória, já que promoveria uma competição espermática e o espermatozóide mais saudável e geneticamente superior venceria a corrida em direção ao óvulo.

A idéia de que homens são biologicamente tendentes à “infidelidade” enquanto as mulheres são “naturalmente” tendentes a serem monógamas não se funda, portanto, em dados biológicos, mas em interpretações morais equivocadas da lei da seleção natural.

A prática do gang-bang é comum nas espécies animais e tem como função biológica permitir uma competição espermática de tal forma que a fêmea seja fecundada pelo(s) melhor(es) espermatozóide(s).

Se as fêmeas da espécie humana tendem a ter um compotamento mais recatado, estas razões devem ser procuradas em fatores culturais que reprimem a sexualidade feminina com muito maior ênfase do que a masculina. Explicações biológicas para este suposto recato natural das mulheres são puro charlatanismo.

AgendaGosto de rotinas de trabalho, mas sou péssima em rotinas para relacionamentos. Sempre fui do tipo de pessoa que “deixa as coisas rolarem”, não antecipo problemas e só discuto o que estiver incomodando muito, mesmo.

Essa postura funcionava muito bem nos tempos de faculdade, quando ninguém tinha horários fixos pra nada, e fazíamos tudo ao sabor do momento. Começou a dar errado quando os horários esdrúxulos de trabalho passaram a dificultar encontros, e pioraram bastante quando todos os envolvidos não têm horário fixo nem para trabalhar nem para namorar. Vi isso acontecendo não só comigo, mas com todos os meus amigos.

Para resolver essa situação desagradável, tive de aprender uma lição que Isabel Allende já falava, muitos anos atrás, em uma entrevista. Ela dizia que tinha horários fixos para encontrar o marido e desfrutarem um tempo juntos, apenas os dois, sem interrupções de espécie alguma. Não era obrigatório fazer sexo, o importante era aproveitar a companhia e fazerem alguma coisa juntos, desde cozinhar até ler ou desenhar. Se não fizessem isso, provavelmente preencheriam esse tempo com atividades profissionais, correndo o risco de abalar o relacionamento e perderem preciosas horas de diversão.

As autoras do Ethical Slut seguem esse mesmo raciocínio, e afirmam que relacionamentos não “acontecem”, eles precisam ser cuidadosamente planejados, especialmente quando envolvem múltiplos parceiros. Planejar evita situações desagradáveis, como esquecer encontros ou marcar encontros com duas pessoas ao mesmo tempo, além de permitir que exista um tempo apenas para cuidar da própria individualidade.

Obviamente, planejamento inclui definir o tempo disponível para encontros amorosos. A sugestão é anotar em uma agenda ou planilha quais são os horários de compromissos fixos e, a partir deles, separar horários para ficar a sós, para encontrar os parceiros e amigos. Em respeito aos parceiros, os compromissos devem ser seguidos à risca o máximo possível.

Pode parecer uma solução radical, e que mecaniza relacionamentos. Mas marcar horários é o procedimento padrão em qualquer início de relacionamento, e que é deixado de lado à medida que as pessoas passam a dividir espaços (morando juntas, por exemplo). Retomar a idéia de tempos separados e planejados, como no início do relacionamento é, além de estimular a individualidade, uma possibilidade que facilita a formação e o gerenciamento de múltiplos relacionamentos.

Era uma vez um casal que resolveu questionar a obrigatoriedade de um relacionamento monogâmico eterno. Pra organizar e catalogar as novas descobertas, resolveram fazer um projeto conjunto: criaram um blog no qual cada um, exercitando sua individualidade, falaria sobre poliamor, dificuldades no relacionamento, dicas, etc.

No entanto, notaram que as pessoas continuam os vendo como um casal, e não como pessoas independentes. E ainda havia o incômodo das confusões atribuindo a autoria do post ao outro parceiro, embora cada post esteja assinado pelo seu autor.

Este blog é um projeto de casal, mas sua execução é individual. Por isso, os emails separados e a autoria bem especificada em cada post. Para reforçar esta idéia de autonomia, a nova barra de identificação trará entradas separadas para Catherine e Henrique.

Quanto a fotos… bem, trata-se de um casal tímido, e que ainda está se adaptando à blogosfera. Quem sabe daqui a alguns dias? ;)

No mais, só temos a agradecer a todos que têm visitado o blog e deixado seus comentários. É ótimo ter com quem trocar idéias sobre nosso tema preferido.

Corno manso

A expressão “corno manso” é uma contradição em termos. Como alguém pode ser traído, tendo consciência de que está sendo traído?

A traição, por definição, é a quebra da confiança existente entre duas pessoas. Se o marido sabe que sua mulher está saindo com outros homens, não há quebra desta confiança, mas sim uma concordância expressa ou tácita com estes relacionamentos extra-conjugais.

A equiparação da traição ou infidelidade ao relacionamento aberto encontrou na gíria “corno manso” a mais perfeita manifestação de um preconceito social contra os polígamos que, ainda hoje, é usada, inclusive pelos adeptos do relacionamento aberto, para se auto-designarem.

Inúmeros casais praticantes do ménage masculino utilizam a gíria “corno” nos títulos de seus blogs e ao longo de seus textos em referências “carinhosas” aos maridos adeptos do ménage masculino. Aceitam sem questionar o preconceito social que equipara seus relacionamentos abertos a uma conduta gravemente reprovada na maioria das sociedades: a traição. Os homens aceitam os rótulos de ingênuos e as mulheres, os de traiçoeiras.

Muitos destes casais, inconscientemente, são adeptos de um relacionamento de dominação-submissão. Ao se designar “corno” e designar sua mulher como “puta”, muitos homens estão não só aderindo à poliandria, mas também a um jogo de dominação-submissão em que a excitação é proporcionada não só pela presença de um terceiro na relação, mas principalmente por um jogo de poder em que o homem se submete aos caprichos de sua mulher independente e dominadora.

Não se trata, portanto, de um autêntico “corno manso”, pois ninguém pode ser traído ciente da traição, mas de um personagem de “corno manso” em um jogo de papéis no qual o homem interpreta um submisso e a mulher uma dominadora.

Evidentemente, não há aqui qualquer tipo de crítica a estes jogos sexuais, mas apenas a constatação de que o uso da expressão “corno manso” nestes jogos de dominação-submissão acaba por reforçar um preconceito social que equipara a monogamia à fidelidade. Não se deve confundir os atores com seus personagens.

Relacionamentos abertos partem das premissas de igualdade e de confiança entre os parceiros. “Corno manso” nunca seria uma expressão adequada para designar um tipo de relacionamento que rejeita a hierarquia e se funda no diálogo franco entre os parceiros.

respeitar a individualidade leva à liberdade e autonomia
Talvez o livro mais interessante que já li sobre relacionamentos seja o famoso The Ethical Slut:A Guide to Infinite Sexual Possibilities, escrito por Dossie Easton e Catherine Liszt. É impossível ler algumas páginas sem repensar a própria vida. Sem dúvida, este livro será a inspiração ou base para muitos de meus posts.

Uma das observações do Ethical Slut que me chamou a atenção foi a ênfase na individualidade. Estamos acostumados a pensar nas relações como pares, e tudo conspira para que casais sejam a essência da vida social. Como exemplo, reparem que as mesas em restaurantes são distribuídas em múltiplos de dois e os cardápios raramente têm opções individuais, bancos de ônibus são para duas pessoas, espera-se sempre que casais compareçam juntos a todos os eventos, as pessoas evitam chamar alguém para uma festa quando sabem que seu/sua companheiro/a está viajando, etc.

Com essa pressão toda, até parece que a única forma possível para relacionamentos é o casal. Porém, a organização em pares não é obrigatória! Trata-se de uma pressão social que nos faz esquecer que, na verdade, viemos ao mundo sozinhos, temos de aprender a viver sozinhos, e morreremos sozinhos. Existem muitas experiências que são tão pessoais (a mais óbvia é a morte; ninguém pode nos acompanhar nela, certo?), que é difícil explicá-las para outras pessoas, pois têm um caráter íntimo demais para ter um código comum de compartilhamento.

As autoras do Ethical Slut levam a noção de individualidade para os relacionamentos, desprezando a visão de que a formação básica da sociedade seriam em par. O livro é fantástico, porque é escrito para a pessoa que o lê, não para casais ou outra forma múltipla de relacionamento. As autoras partem de uma célula única – o indivíduo – e a partir daí falam da liberdade de tecer redes interligando os relacionamentos. Se serão formados pares, tríades, quartetos, não importa. Os nós da rede podem ser transitórios, a essência é a individualidade.

É por isso que relações poliamorosas são revolucionárias: elas negam a identidade social dos pares, nos lembrando de nossa individualidade, de nossa autonomia e de nossas vontades (que muitas vezes são negadas em prol do “sucesso” dos relacionamentos). É, sem dúvida, uma filosofia de vida bem diferente, e mais adequada à sociedade moderna.

Depois de entender isso, pra mim ficou impossível pensar em relacionamentos sem lembrar antes que sou autônoma, e que eu construo meus relacionamentos e minha vida de acordo com as minhas vontades. É libertador viver assim.

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