André Comte-Sponville escreveu em seu Pequeno tratado das grandes virtudes que: “coragem não é a ausência do medo, é a capacidade de superá-lo, quando ele existe, por uma vontade mais forte e mais generosa”.
Parafraseando-o podemos dizer que “Relacionamento aberto não é a ausência de ciúmes, mas a capacidade de superá-lo, quando ele existe, por uma vontade mais forte e mais generosa”
Freqüentemente quando conto a alguém que tenho um relacionamento aberto, vem a inevitável pergunta: “e vc não tem medo de perdê-la?”
E, tal como aprendi com o Alex Castro, retribuo na mesma moeda: “e vc não tem medo de perder a sua?”
Talvez o lado mais perverso da monogamia é que ela vende uma falsa segurança, em uma sociedade em que todos têm medo de instabilidades. Só que a proibição não impede o proibido, apenas faz com que este seja praticado às escondidas.
Tanto relacionamentos abertos quanto relacionamentos fechados estão sujeitos a terminarem não só pelo fato de um dos parceiros se apaixonar por outra pessoa, como por n outros motivos. No relacionamento fechado somos condicionados desde cedo a reprimir estes desejos, mas isso nem sempre funciona. E quando não funciona o resultado é desastroso, pois não era previsível. Estava escondido na suposta segurança proporcionada pelos laços do matrimônio tradicional.
No relacionamento aberto, a fugacidade destes laços é mais visível e ninguém se compraz com a suposta perenidade do casamento. É claro que há ciúmes no relacionamento aberto e é claro que há o temor de uma perda. Só que estes riscos são encarados como parte natural dos relacionamentos humanos.
O relacionamento aberto é antes de tudo um ato de coragem, pois implica a necessidade de enfrentar o ciúme e o temor da perda em uma sociedade que valoriza tanto a estabilidade.




Adorei a comparação com o controle do medo. É bem mesmo a minha opinião sobre o assunto.
“Talvez o lado mais perverso da monogamia é que ela vende uma falsa segurança, em uma sociedade em que todos têm medo de instabilidades. Só que a proibição não impede o proibido, apenas faz com que este seja praticado às escondidas.”
Amei essa parte e vou levá-la comigo sempre. Acho (não, eu tenho certeza) q é muito mais fácil fazer tudo às claras, sendo ’super sincero’ do q viver na mentira. é uma pena ainda q as pessoas creditem à monogamia uma felicidade q não existe…
beijos